Especialistas de mercado debatem nesta terça os mecanismos de financiamento do cinema brasileiro atual, na Escola Magia do Cinema.
Emerson Alves, Secretário de Cultura de Paulínia, explicou os critérios do Edital que investe dinheiro da Prefeitura em novos filmes de ficção: 25% das filmagens devem ser feitas em Paulínia, e o teto de financiamento varia de 20% a 30% do orçamento total do filme. Em um ano, a média de tempo de filmagem dos longas em Paulínia aumentou de quatro dias para quatro semanas na cidade.
Antônio Almeida, da Globo Filmes, explicou que o braço de cinema das Organizações Globo não investe dinheiro diretamente em suas produções, e sim aconselhamento artístico e espaço de mídia nos veículos da Globo. “Gostamos de investir em filmes de sucesso, e isso não significa necessariamente um grande público. Temos ‘Se eu Fosse 2’, que já tem 6 milhões de espectadores, mas temos também um documentário como o de Wilson Simonal, que está com 70 mil espectadores. Para mim, esse também é um sucesso”.
Assunção Hernandez, produtora independente de sucessos como “A Hora da Estrela” e “O Homem que Virou Suco”, diz que tenta conciliar filmes de autor com filmes que se paguem financeiramente. “Tento conseguir as duas coisas: filmes de conteúdo digno e que conseguem atingir o público. Aí, eu fico feliz.”
Para Ivan Teixeira, da produtora Master Shot, o governo não deve oferecer financiamento para cinema de autor, apenas para filmes com chance de público. “Cinema é uma atividade comercial, que consome muito dinheiro. Se um artista quer fazer uma obra autoral que não vai se pagar, é melhor que vá escrever um livro ou outra coisa”.